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17/02/11

Autogestão

1. "O axioma fundamental e, para falar mais adequadamente, constitutivo da autogestão é, meridianamente, o da igualdade das pessoas". Não se pode confundir, no entanto, igualdade com identidade. É evidente que existe entre as pessoas grande diferença em relação às características físicas, intelectuais e morais, mas isso não faz com que um ser humano seja mais humano do que outro. Este princípio torna a dominação de uma classe sobre a outra uma incoerência no plano teórico. "Se os homens fossem desiguais de fato e de direito, não haveria dificuldade em admitir que uns comandassem outros". Assumindo-se o princípio da igualdade das pessoas, a autogestão se torna "uma tarefa política necessária".


2. O conceito de autogestão surge inicialmente para denominar uma experiência política, econômica e social surgida na Iugoslávia por volta de 1960. É "a tradução literal da palavra servo-croata samoupravlje ('samo' sendo o equivalente eslavo do prefixo grego 'auto', e 'upravlje' significando aproximadamente 'gestão')". Atualmente, a palavra autogestão é utilizada para explicar formas de Estado, de organização do trabalho, de associações sindicais, de gestão de programas públicos, de gestão de planos de saúde, entre outros. Apesar da grande utilização, percebe-se que o conceito é pouco aprofundado. A multiplicidade de significados também não fica evidente, pelo contrário, parece ser um conceito óbvio e unidimensional. Esta generalização provoca desentendimentos e alguns abusos no que se refere à utilização conceitual do termo. Afirmando a necessidade de uma definição mais rigorosa Guillerm e Bourdet (1976) utilizaram uma estratégia de comparação que permitisse distinguir autogestão de outros fenômenos próximos, como participação, co-gestão, controle operário e cooperativa, para enfim delimitar mais claramente o domínio da autogestão. A participação ocorre quando o indivíduo se agrega individualmente e colabora com os outros na execução de uma tarefa com pleno consentimento e parcial controle, porém sem benefício comum. Não significa autogestão, pois não elimina a distinção entre executante e dirigente. Falta ao executante a iniciativa da ação. Já a co-gestão ocorre quando os trabalhadores intervêm efetivamente na organização da empresa.

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